X

Fale Conosco:

Aguarde, enviando contato!

Crônicas de Londres

Tchau Federica

Crônicas de Londres

Tchau Federica
Crônicas de Londres
  • Compartilhe esse post
  • Compartilhar no Facebook00
  • Compartilhar no Google Plus00
  • Compartilhar no Twitter

Eu buscava por uma nova experiência antes de finalizar o ano e de fato encontrei. Terceira semana em Londres e já tantas novas histórias para contar. 

Fazer intercâmbio é um processo constante de chegadas e partidas, não só nossas, mas das pessoas que encontramos no caminho. 

A Federica é a italiana que estava na equipe aqui do hostel há quatro meses. Ela está indo embora hoje, e resolvi compartilhar um pedaço da vida diária aqui, através da percepção dela. 

Acredito fielmente que a hora em que eu mais encontrava a Fede era pela manhã. No intervalo dela, entre um job e outro, depois de passar a madrugada na recepção do hostel. Trocávamos figurinhas, falávamos sobre estudo, sobre escolhas, sobre família, sobre a vida. É fácil conversar com ela, papo flui. Mesmo com olhar cansado, dizendo-se doente, “oi tudo bem” nunca era o suficiente para Federica.

Um dia ela me convidou para pegarmos nossos notes e irmos trabalhar em um café. Logo na porta do hostel ela grita: “Look Nati, the sun, say hello to the sun” E enquanto fazíamos reverencia ao sol, um caminhão imenso estaciona na nossa frente, tapando qualquer rastro de existência dele. Nos olhamos e caímos na gargalhada. Ok, estamos em Londres, quem quer sol mesmo?!

“Eu cheguei chorando e agora parto chorando de novo” ela disse depois de gastar os restos de guardanapo sobre a bancada da cozinha. Andando de um lado para o outro, buscando o que é que havia esquecido, olhando pela última vez os cantinhos, trocando últimos olhares. 

Sim, ela chorou na chegada, ao se dar conta de onde ela havia se enfiado hahaha. As expectativas são sempre diferentes do real. Day by day, entre um sorriso e outro, um acolhimento e um chute na bunda, cada nova situação é um motivo de memória e de nostalgia.. na hora de partir. 

Ouvi alguém dizer que italianos são pessoas emotivas. Lembrei logo dela.. mas não me pareceu essa a maneira ideal de caracterizar. Fede faz as coisas com paixão. E a paixão é intensa. 

“No no no, I caaan’t beliiieve, nooo don’t piss me off (falava ela entre pulos e saltos naquele jeito de falar não só com as mãos, mas com o corpo inteiro). Escora-se em uma parede, respira fundo e diz alto: Caaaaaaalma Federica, caaaaaaalma 

P: Fede o que aconteceu? R: No no, nothing. P: Federica? R: Ok girls, gossip time. E entre sua narrativa em ingles, mistura-se português e italiano e todo mundo se intende. 

Superficial não é o suficiente para ela, pra que viver pela metade se pode se jogar de cabeça? 

“Imagina voltar para casa, dormir na minha cama com o meu cachorro..” Estava pensando ela alto hoje pela manhã, tentando firmemente se convencer de que estava tudo bem, é só virar a página.

Mas a gente sabe que não é. O intercâmbio é como aquela parte do livro que tem figurinhas no decorrer de uma narrativa entediante. 

Federica reuniu todos que conseguiu no almoço, mas nem conseguiu comer direito. Ela queria ouvir que os dias aqui não serão os mesmos sem ela. E com certeza não serão. A vida continuará.. novas festas, novas pessoas, novas fofocas, mas tudo aquilo que já aconteceu está registrado não só na vida dela, mas de todos que cruzaram por ela aqui. 

E se ela considerasse essa experiência apenas como mais uma viagem? Se ela não desse tamanho significado? Se ela só botasse a mochila nas costas e fosse embora? Bom, daí talvez eu nem estivesse compartilhando essa história.

Fede, obrigada por me lembrar as emoções vividas nesse tempo aqui.. Londres faz isso com a gente, o intercâmbio faz isso com a gente. O autor do pequeno príncipe disse a seguinte frase: “Cada um que passa em nossa vida, leva um pouco de nós mesmos, e deixa um pouco de si mesmo. Há os que levam muito, e há os que deixam muito, mas não há os que não deixam nada…”

Voa menina, tem um futuro cheio de dias de sol para você viver logo aí, na sua frente. Diga oi para o sol, eu vou seguir reverenciando ele aqui para você. Mesmo que o caminhão estacione.  

Crônicas de Londres

Crônicas de Londres

Deixe seu comentário aqui:

Orgulhosamente desenvolvido por @renanabraham - WC®3.1.4

Design: My Wishes Gallery.com

2019 - Prô Mundo - Todos os direitos reservados