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Entre idas e vindas

Voluntariado em Londres

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Eu senti toda aquela ansiedade pré viagem, querendo deixar tudo organizado. As borboletas no estômago só pararam de bater asas quando eu estava no metrô, a caminho do Hostel.

Cheguei lá na defensiva, observando tudo, como qualquer bicho inserido dentro de um novo ambiente. Fui reconhecendo território, tentando destravar a língua que ainda insistia em falar português, usando aquilo que tenho de mais genuíno para me comunicar, o sorriso.    

Aos poucos fui aderindo a dinâmica do lugar e com isso me soltando. Tenho esse costume de ser um pouco camaleão, não imponho o meu jeito ao lugar ou as pessoas, mas analiso e vejo como posso me adequar. Afinal estou no mundo pra isso, e acho que tenho muito mais a aprender dessa forma.

E foi assim que mudei totalmente a minha rotina nesses últimos dois meses. Hospedando-me e trabalhando em um budget hostel, em New Cross, sudeste de Londres.

Entre idas e vindas

Chamam essa experiência de voluntariado, e acho que eu entendi o sentido do termo. É uma troca, mas exige entrega. E não é algo que qualquer um se disponha a fazer, apesar de sinceramente achar que em algum momento da vida todos devessem. Apesar de eu ter sido escolhida para trabalhar em uma vaga na recepção, nas primeiras duas semanas todos trabalham na limpeza. E com isso se aprende como funciona o local, quantos quartos tem, quais são privados, quais são coletivos, como são as cozinhas, quem utiliza os espaços e de que forma… mas mais do que isso, desse jeito eu conheci a equipe. 

Todos que estavam lá, apesar de carregar suas histórias, culturas, sotaques, estavam lá fazendo o mesmo que eu. Éramos iguais. E nesse vínculo se contrói uma parceria ímpar. E como toda a família, rola desentendimentos, fofocas, desacordos. É uma atualização de todas as concepções de privacidade que você pode imaginar, ou da falta dela. Com direito a quarto compartilhado com equipe, e demais áreas compartilhadas com equipe e hóspedes. 

Em um dia você é um lobo solitário desbravando o mundo, e no outro você só sai “de casa” dizendo para onde está indo: “Hey Natalia, espera que eu vou junto”. E nesse ritmo, a espera se tornava frequente no dia a dia: “Te encontro em 20 minutos na Common Area”. E tá perfeito, a companhia dava um tom diferente a qualquer atividade que poderia ser feita nos repetidos e maravilhosos pontos turísticos da cidade. 

Entre idas e vindas

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“Coloca um casaco que está frio lá fora”. Era a frase mental que soava quando o discreto sol batia na janela, dando a impressão (com a calefação ligada) de que fazia um dia primaveril. E não só o casaco, a mochila saia equipada com luva, gorro e manta, que não ficavam por muito tempo guardados. 

A noite chegava por volta das quatro horas da tarde, como os relatos antigos, que falam da típica Londres. Então até o corpo acostumar, o sono batia por volta das sete. Hora esta que geralmente já estávamos no hostel. E quando não tinha confraternizações regadas a ciders and chips, assistíamos algum filme, retirado das indicações do netflix, de algum perfil aleatório que ficou conectado à SmartTV.    

Entre idas e vindas

E assim seguiam os dias, sempre diferentes um do outro. Com novas pessoas chegando e outras indo embora. Uma nova palavra aprendida, um novo drama, uma nova história bizarra, um novo motivo para rir ou tentar se esconder (mesmo quando não havia como). As horas vagas eram desfrutadas de diferentes formas, alguns também trabalhavam à parte, como eu. Outros não, tinham sua própria poupança e utilizava o menos possível diante as mais caras e variadas opções de gastar dinheiro do mundo, em libra.  

A essa altura eu nem lembrava mais das borboletas, aquelas do estômago. Pelo contrário, todos aqueles motivos que antes eram razão para querer cair na estrada e viver uma nova experiência, agora já eram tentações que despertavam a vontade de retornar ao lar.

Aquele comodismo de estar conectada o dia inteiro na wifi, sem me preocupar com um local adequado para fazer atendimentos. O intervalo de tempo em que podia sentar, tomar um café e escrever, no silêncio do meu apartamento vazio. A facilidade em me expressar, sem pensar muito, deixando as palavras sairem livremente pela boca. Tudo isso eu reconquistei ao voltar pro Brasil. E dentro de tudo que é oposto, agora já começo novamente a sentir falta dos novos rostos, dos lugares diferentes para conhecer diariamente, e das boas companhias que já me aguardavam, entre um atendimento e outro, planejando o jantar. 

E nessa inconstância entre o privado e o coletivo, entre a solidão e o companheirismo, entre a rotina e a novidade, a gente vai ficando um pouco aqui e um pouco acolá, entre idas e vindas, planejando o próximo destino. 

Entre idas e vindas

 

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