Saúde Mental e Imigração

Confissão de nômade: “cansei de ser viajante!”

por Prô Mundo Psicologia | mar 04, 2024

Olá, Viajante!


“Você achou que esse estilo de vida ia durar para sempre?”

Essa pergunta gerou um silêncio longo em uma conversa que aconteceu nesta semana. Uma amiga nômade, que viaja o mundo já há alguns anos, “confessou” estar cansada de viajar

  • Confessou” porque o desabafo foi feito em uma mistura de culpa e segredo, como se ninguém pudesse saber. Bem no estilo de confissão com padre mesmo.

Ademais, ao longo da conversa, ela foi trazendo uma lista de razões pelas quais o nomadismo não estava mais funcionando para ela: cansaço de planejar viagem, falta de continuidade profissional, grana limitada, desinteresse pelos lugares, e mais um monte de coisas…

Quando ela ouviu a pergunta acima, foi quase como uma epifania: não, o nomadismo não iria durar para sempre. Como nenhum estilo de vida dura.

cansei de ser viajante!

Tudo que existe, um dia não existiu, e um dia deixará de existir

A moça da história acima está passando por um dilema muito comum entre viajantes, nômades, mochileiros e expatriados: e se aquela experiência ou estilo de vida já deu? E se chegou a hora de acabar?

Quem se aventura a viver pelo mundo sabe que esse estilo de vida é um rompimento de padrões. Isso significa que o movimento de se tornar viajante não aconteceu por acaso. Provavelmente você não “seguiu o fluxo” do que estava todo mundo fazendo.

Você tinha razões, algumas muito claras e outras não, para escolher viver assim. E outras razões podem ter surgido no meio do caminho.

Só que da mesma forma como esses motivos começaram a aparecer e te levaram a um caminho, eles também podem desaparecer. E aquele caminho, que fazia todo o sentido um tempo atrás… Bem, agora não faz mais!

Traição do movimento & comparações

A amiga nômade da história disse que, apesar querer e ter vários motivos para dar um tempo nas viagens, o fato de ver outros nômades viajando no Instagram sempre mexia com ela.

  • Inclusive, ela chegou a embarcar para uma viagem sem querer, só porque viu outra pessoa fazendo, e ficou aborrecida quase o tempo todo.

O que acontece é que o viajante costuma de sentir bastante orgulhoso das escolhas que fez em prol do seu estilo de vida, incluindo os perrengues que passou e ainda passa.

Daí, o mero pensamento de retomar alguma forma de viver anterior – como voltar para o país de origem, para uma carreira tradicional, etc – parece um retrocesso. Uma volta à “sociedade padrão” da qual não faço mais parte.
 

Se eu me identifico como viajante, mas estou cansada de viajar… Quem sou eu então?

cansei de ser viajante!

🎵 Um homem não te define, sua casa não te define, sua carne não te define, você é seu próprio lar 

O estilo de vida viajante – assim como o seu trabalho, seus relacionamentos, sua família – não são quem você é. Tudo isso é apenas uma parte da sua vida, delimitada por um certo momento e contexto.

Todas as pessoas são maiores, mais complexas e mais mutáveis do que “nome, profissão, estado civil e comprovante de endereço”.

Cada viajante já passou por muitos desafios e não precisa sustentar “meias verdades” nem se guiar pelo desejo de pertencimento a qualquer custo. E pode confiar na palavra das especialistas: com toda a bagagem que você tem, é impossível voltar para o lugar de onde saiu.

Ser fiel a si mesmo é, sobretudo, entender que esse “si mesmo” está em constante transformação.

cansei de ser viajante!

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