
Você já sentiu que a vida passou por cima dos seus desejos?
Na correria do dia a dia, a gente acaba deixando de lado antigas paixões e, junto com elas, uma parte importante de quem somos. O trabalho exige, as responsabilidades crescem, e aquele violão esquecido no canto da sala parece te olhar todo dia, cobrando um pouco de atenção. A verdade é que trabalhar, lidar com as surpresas do cotidiano e ainda tentar dar conta de tudo já é desafiador o bastante e, na era da alta performance, ter hobbies praticados com leveza (sem o objetivo de produzir), virou quase um luxo.
Vivemos em um mundo em que produtividade é sinônimo de valor e tudo precisa ter um propósito, um resultado, um porquê. Essa mentalidade, quando exagerada, pode até destruir a alegria de fazer algo apenas por prazer.
E os obstáculos não param por aí: estamos também na era da rolagem infinita e do brainrot, que provocam à longo prazo aquela sensação de estar sempre distraído, pulando de estímulo em estímulo, sem conseguir se concentrar em nada por mais de alguns segundos.
O ChatGPT também está na jogada e podemos perceber os efeitos dele já se manifestando em quem o usa para tudo, até para tentar substituir a terapia (spoiler: não é a mesma coisa).
Com todos esses obstáculos, ter um hobby virou quase um ato de resistência. Hoje, quem consegue se concentrar por mais de 30 segundos sem checar o celular merece uma medalha. Mas brincadeiras à parte: não subestime o poder dos hobbies. Ter um momento só seu é um presente para a saúde mental e, para quem vive fora do país, esses momentos são ainda mais valiosos, porque ajudam a desligar das preocupações extras da vida de imigrante.
Falamos sobre eles bastante por aqui na Prô Mundo: burocracias, saudade de casa, as barreiras da língua, adaptação cultural, entre outras muitas camadas da vida de quem vive fora.
Hobbies analógicos: o antídoto que você precisa
Não sabe por onde começar? Não faz ideia do que pode ser o seu hobby? A gente te ajuda: os hobbies analógicos, aqueles que pedem mãos ocupadas, mente focada e zero notificações, são ótimos lembretes de que o tempo pode ter outro ritmo quando não é medido por uma tela.
Por que não começar testando um deles?
Crochê é para todos
Não é só para as vovós! O crochê é puro relaxamento com propósito. Cada ponto é um treino de paciência e atenção e ver um fio se transformar em algo concreto dá uma satisfação única, difícil de explicar.
Além disso, é portátil: você pode levar para um café, para um parque ou para o seu próximo destino, que tal? O som do fio passando pela agulha é quase meditativo. Crochê é terapia em movimento e, de quebra, ainda rende presentes personalizados para quem você ama.
Andar de bicicleta é o hobby perfeito para o viajante
Pedalar não é só exercício: é liberdade sobre duas rodas. Para quem vive fora, pode ser também uma forma de explorar o novo país e descobrir locais escondidos, parques tranquilos ou vistas que nenhum roteiro de viagem mostra. Enquanto o vento bate no rosto a mente desacelera, a respiração se ajusta ao ritmo das pedaladas e a sensação de presença plena toma conta.
Achou que te demos poucos motivos? Saiba que além de liberar endorfina e aliviar a ansiedade, pedalar faz muito bem pro coração. Não sabe andar de bicicleta ainda? Então fazemos o convite para você aprender com algum amigo e criar novas memórias. A diversão é garantida, e talvez alguns arranhões venham junto, mas quem nunca?
A magia do livro impresso
Ler é um ato de resistência: no mundo da rolagem infinita abrir um livro é um protesto contra a pressa. O som das páginas, o peso nas mãos e até o cheirinho de papel criam uma experiência sensorial que nenhuma tela consegue imitar, porque longe das notificações, a leitura vira um ritual.
E se você anda com dificuldade de se concentrar temos uma ótima notícia para te dar: ler também melhora o foco. Por isso, comece devagar com uma página por dia, meia página se for preciso. Afinal, o livro impresso te convida a seguir o seu ritmo de forma independente. O segredo está em não desistir.
Dá para levar um piano na mala?
Praticar música é um alento para o cérebro e para a alma. Muita gente adia esse hábito, mas, quando você se permite apenas curtir o processo, sem pressa de chegar a lugar algum, a música vira um refúgio, um descanso mental.
E sabe quem está vivendo isso na prática? A Nati Dalpiaz, psicóloga intercultural e criadora da Prô Mundo. A Nati aproveita os períodos em que está no Brasil para aprender piano sem a cobrança de precisar praticar quando viaja. Afinal, hobbies não são tarefas, mas sim espaços de prazer e autodescoberta.
Jogos de tabuleiro: diversão compartilhada sem wi-fi
Quem disse que é preciso estar online para se divertir em grupo? Os jogos de tabuleiro são um lembrete de que risadas, estratégia e pequenas vitórias cabem perfeitamente em uma mesa. Além de estimular o raciocínio e a criatividade, eles também aproximam as pessoas e, ao contrário do que muita gente pensa, há opções para todos os gostos: os clássicos como xadrez, os modernos mas inventivos e até os cooperativos, em que todo mundo ganha (ou perde) junto.
Montar uma mesa de jogo também pode ser considerado um ritual: preparar os petiscos, afastar o celular e entrar em outro universo, onde o tempo corre no ritmo das jogadas, das conversas, das risadas… é uma sensação que você e seus amigos não vão esquecer quando testarem juntos.
Hobbies digitais são válidos
Nem tudo precisa ser offline. As telas também podem ser aliadas, desde que a intenção seja verdadeira: estar presente, aproveitar, se envolver… O importante não é o formato, mas o tipo de presença que o hobby desperta.
Filmes e séries também são hobbies
Sim, assistir filmes e séries pode ser um hobby, desde que praticado com atenção. Nada de ficar assistindo com o celular na mão! Assista de verdade, refletindo sobre personagens e tramas. Para quem vive fora, essa também é uma forma de se conectar com a cultura local e aprimorar o idioma.
Levando isso em conta, que tal transformar sua maratona em uma experiência consciente? Escolha algo que te desperte curiosidade, anote frases novas, observe o comportamento das personagens. Lembre-se: assistir é muito diferente de apenas deixar a tela rodando enquanto o celular vibra ao lado.
Jogar videogame é mais acessível do que você pensa
O videogame é outro grande injustiçado. Muita gente o associa à perda de tempo, mas ele pode ser um exercício poderoso de concentração, estratégia e até empatia. Existem jogos com narrativas profundas, como Venba – um game que te coloca no lugar de uma imigrante tentando equilibrar tradição e adaptação em outro país. Inclusive, já falamos dele na nossa newsletter. Não se inscreveu ainda? Clique aqui para ler nossa news sobre Venba e se inscreva.
Jogar com propósito é diversão que desafia e relaxa ao mesmo tempo. Além disso, há jogos que favorecem a socialização, ajudam a treinar idiomas e estimulam a criatividade. E sabe o que mais, imigrantes? Tem muitos videogames portáteis disponíveis por aí, para você levar para qualquer lugar do mundo.
Fotografia: presença em cada clique
Registrar momentos e paisagens é um dos hobbies mais acessíveis e transformadores. A fotografia, seja com celular ou câmera profissional, muda o nosso olhar sobre o mundo. Para quem vive fora, ela ajuda a enxergar beleza nos detalhes: uma esquina, uma luz diferente, um costume local.
Ao brincar com enquadramentos e ângulos, você exercita a criatividade, a atenção e a paciência. Cada clique é uma forma de dizer “eu estive aqui” e guardar esses registros é, também, criar o próprio álbum de pertencimento.
O papel dos hobbies na prática
Ter um hobby não é perda de tempo. É cuidado. É um espaço para respirar, recarregar e se lembrar de quem você é, especialmente em um contexto de vida fora do país, onde as identidades às vezes se misturam, se confundem, se reinventam. Quando você se permite ter um hobby, está dizendo a si mesmo que a vida não precisa ser apenas funcional. Você reforça internamente que o descanso, o prazer e o aprendizado leve também têm valor.
Hobbies nos ajudam a:
- Desacelerar o pensamento, reduzindo a ansiedade e melhorando a capacidade de foco;
- Criar memórias positivas, que fortalecem o bem-estar emocional;
- Manter o senso de identidade, mesmo longe das referências culturais conhecidas (principalmente se você praticava o mesmo hobby no Brasil);
- Cultivar presença, algo raro no mundo das distrações.
Redescobrindo o prazer de estar presente
Ter um hobby é cuidar da mente, desacelerar, criar memórias e, muitas vezes, descobrir algo novo sobre si mesmo. Seja pedalando por lugares novos, criando melodias ou explorando mundos digitais, o importante é se permitir momentos de atenção plena e diversão genuína.
O hobby ideal é aquele que te faz sentir mais leve e que te traz o respiro que só um momento de presença traz. Torcemos para que você, imigrante, consiga entre uma saudade e outra encontrar nesses pequenos gestos uma forma de se reconectar com quem você é.
A Prô Mundo está aqui pra te lembrar que cuidar de si também é um ato de coragem. E, claro: se precisar da gente, é só chamar.
Através de um atendimento psicológico especializado em interculturalidade, nossas profissionais estão prontas pra te acolher de qualquer lugar do mundo. Lembre-se: você não precisa enfrentar sozinho os desafios da vida no exterior, conte conosco.


